Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

O que é ERGONOMIA?

Ergonomia é o recurso utilizado no estudo das relações entre o homem e seu meio. Esta definição acaba se tornando abrangente demais, mas na verdade é o que realmente é ergonomia, em poucas palavras.

É um dos recursos mais antigos da história da vida humana! A ergonomia foi aplicada pela primeira vez, mesmo que sem saber, na pré-história, quando o homem inventou seu primeiro utensílio utilizando apenas criatividade e bom senso.

A partir daí, o homem foi se especializando na produção cada vez mais específica de todos os seus objetos. E assim a ergonomia ganhou espaço até se oficializar como ciência na Idade Média!

Graças a sua enorme abrangência, ela pode ser aplicada em praticamente TODAS as áreas de nossa vida. Pode ser aplicada em qualquer atividade sempre em busca do melhor desempenho e bem estar do usuário. Da sua escova de dente até o equipamento mais pesado de nossa indústria! Mas por que este recurso é tão importante assim?

A ergonomia pode ser considerada como tecnologia por seu caráter prático e aplicativo. No entanto, não existem estudos de ergonomia que fiquem somente no papel. Ele deve necessariamente ter um produto final, um objetivo.

Existem pesquisadores que conceituam a ergonomia uma ciência, enquanto geradora de conhecimentos, já que possui um grande arsenal teórico. Até porque para aplicarmos tecnologia no produto final, teremos que estudar todas as possibilidades. Ou seja, a ergonomia é um produto que mescla sempre teoria e prática. Seu campo de intervenção é o trabalho, sempre.

Os ergonomistas atuam no planejamento, projeto e execução de inúmeros produtos, serviços e ambientes visando sempre à adaptabilidade dos usuários com as suas necessidades.

Vejamos como a ergonomia pode ser aplicada em exemplos reais: Estudos ergonômicos auxiliaram na evolução da antiga navalha até o atual aparelho de barbear. Mas como? Bem, o objeto continha um lamina única, evoluiu primeiro para duas lâminas paralelas (Gillette Sensor), e recentemente para três lâminas (Gillette Match 3), muito mais eficaz, segundo os usuários. O recente aparelho ainda possui um sistema de lâminas que acompanha as imperfeições da pele, proporcionando um barbear mais rente e menos agressivo a pele.

Não satisfeitos, os projetistas ainda previram uma lâmina colorida que vai palidecendo sua cor para indicar o desgaste conforme o uso, evitando problemas com lâmina cega, irritações, etc. Todas esses avanços tecnológicos são graças a um profundo estudo ergonômico do produto, levando assim a um grande diferencial em relação aos concorrentes!

Existem estudos ergonômicos sobre tudo o que se possa imaginar! Telefones públicos (aqueles orelhões não foram projetados assim à toa!), utensílios domésticos, roupas, embalagens, mobiliário, veículos, ambientes em geral, propaganda publicitária, até mesmo textos como este que você está lendo, podem receber estudos ergonômicos para se tornarem mais agradáveis ao leitor!

Todos os estudos ergonômicos começam através de um processo de observação do produto. Sempre, na criação de um determinado produto, os ergonomistas deveriam estar presentes sempre procurando através de suas técnicas, conduzir na formulação de um produto ergonomicamente correto. Mas infelizmente, no Brasil, isto não acontece com muita freqüência! A ergonomia é utilizada como recurso posterior, quando as coisas já não estão dando muito certo!
De qualquer forma, antes tarde do que nunca! Muitos são os casos de produtos lançados no mercado que não funcionam e que, tempos depois reaparecem com outra configuração, desta vez com sucesso.

Não se pode negar que neste mundo globalizado, onde a concorrência está enlouquecendo a todos, os estudos ergonômicos podem fazer diferença num produto diferenciado que esteja cada vez mais adaptado às condições propostas.

Uma curiosidade à respeito da ergonomia é que uma das causas da baixa produtividade da economia brasileira - um problema amplamente conhecido - se deve a problemas ergonômicos: desconforto dos equipamentos/mobiliário aliado ao número de horas nesta permanência. Grande parte das pessoas que trabalham em distintos ramos de atividade - seja na frente de computadores, manipulando máquinas de todos os tipos - não se sentem confortáveis em seu ambiente de trabalho.

A saúde dos funcionários, aliada às condições desfavoráveis de trabalho, conduzem a um quadro de patologias bastante sublinhado por epidemiologistas e médicos do trabalho. Uma substantiva demanda sindical tem referendado esta opção social. Muitos são os problemas advindos de problemas posturais, dentre eles desvios de coluna cervical e lombar, quase sempre irreversíveis, recebendo alguma melhora após sessões de fisioterapia.

Certamente, a utilização da ergonomia aliada ao Design torna-se uma das mais poderosas ferramentas do mercado contemporâneo. Quando aplicada corretamente, trará benefícios aos usuários e uma resposta imediata na produção da empresa.

por Beatriz Chimenthi

Sábado, 4 de Julho de 2009

Mas o que é branding, afinal?

O termo branding é mal compreendido e está sendo usado para explicar qualquer coisa. No entanto, atrair consumidores para a sua marca é o trabalho mais relevante que um profissional de marketing pode fazer.

De uns tempos para cá, em toda parte começou a aparecer o termo branding, a buzzword preferida dos marketeiros. Tudo é uma questão de branding, ações de marketing viraram ações de branding, as justificativas de se estourar o orçamento deste mês são, sem dúvida, um problema de branding, e até algumas agências de design viraram agências de branding.

No começo desse mês, aparece no Branding Strategy Insider esse post, que fala sobre como o branding está precisando trabalhar no seu próprio branding.

O abuso do termo não é exclusivo dos brasileiros, e tem causado irritação e frustração nos outros profissionais (que não os de marketing) nas empresas. Porque na prática, como o termo branding está sendo usado para explicar qualquer coisa, tem virado piada e sinônimo de blá-blá-blá. Quando foi que a palavra virou algo misterioso que não se sabe bem a que se refere?

Uma marca ou brand é a percepção dos consumidores sobre um produto, serviço, experiência ou organização. Não o que os profissionais de marketing pensam que a marca é, mas o que ELES, os consumidores acham que ela é.

Portanto, por princípio, não existe marca em um escritório de design. Ou num boardroom. A marca está nas ruas, nas casas, sendo vivida e experimentada. O design, o sistema de identidade de uma marca, é sim, importantíssimo, crucial. É a estratégia em forma visível, como dizia o pioneiro Wally Ollins. Mas não é a totalidade do que é a marca.

Para a American Marketing Association, branding não é fazer com que um consumidor escolha uma marca ao invés da marca concorrente. É fazer com que um potencial consumidor perceba a marca como a única solução para o que ele busca. A única escolha lógica para o que ela está oferecendo. Branding é um sistema de comunicação que deixa claro porque a marca importa. É achar e comunicar algo que atraia os consumidores para a marca, ao invés de você ter que caçá-los de modos, algumas vezes, bem caros.

E não adianta ser apenas diferente. Diferente é ótimo, claro. Nossa atenção vai direto para o que é diferente. Tem que ser relevante. Tem que ser solução. E não porque eu digo, mas porque o consumidor, o usuário está dizendo.

Branding é atrair esses consumidores para a sua brand. É o trabalho mais relevante e de maior ROI que um profissional de marketing pode fazer. Branding te faz saber o que dizer antes mesmo de que você abra a boca. Portanto o diretor financeiro tem que cobrar o bom branding, porque ele aumenta as chances de retorno do investimento na marca. E não ter medo de quando o diretor de marketing usa a palavra de modo enigmático.

Da próxima vez que ouvir o termo mal-utilizado, passe a mensagem para frente. Pergunte o que o consumidor achou. Pergunte como isso torna a marca a escolha lógica. Como isso atrai os consumidores para que não se tenha que caçá-los. Para que quando formos falar de branding, falemos de verdade, que o assunto é importante.

Por Mônica Sabino

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Design e Publicidade

publicidade tem design, mas não é design

Há tempos o mercado confunde expressões forjadas lá fora que passam a fazer parte de nosso tempo e de nossas vidas. Durante décadas palavras como marketing, branding, design e outras, geraram interpretações errôneas que então são repetidas como se fossem da moda e fortalecem ainda mais a confusão por parte do mercado.

Na ausência de profissionais da área, na época, o design foi admitido ao domínio da propaganda e da publicidade pelas agências já terem maior tempo de Brasil e profissionais antenados no design global. O que funcionou bem por um tempo. Com a complexidade do conhecimento aplicado, a experiência e o planejamento técnico obrigaram a formação de profissionais especializados em design gráfico, ou os designers. Daí vieram as diferenças visíveis.

Na essência, publicidade e propaganda são, em síntese, passageiras, possuem um caráter pontual - campanhas solucionam problemas de comunicação, favorecem ações de venda e posicionam mercadologicamente a marca. Isso configura uma ação de curto prazo, que deve ser renovada mais freneticamente, pois é voltada ao tempo e contexto histórico e econômico.

Perceba que, para a tradução de desenho, existe a palavra draw, então, é fácil compreender, Design não significa desenho. Design é um projeto de maior duração, ligado intimamente aos princípios da empresa, sua identidade e o contexto cultural e leva em consideração inúmeras matérias na sua aplicação técnica.

Planejar identidades corporativas, projetos de frotas, sistemas de uniformização, peças de mobiliário urbano, embalagens, fachadas, sistemas de sinalização, projetos editoriais, símbolos tipográficos e objetos são de competência do escritório de design. O designer trabalha com projetos de Comunicação Visual. Pode ser feito por agências de propaganda e publicidade, mas são de competência dos designers. Assim como um farmacêutico pode receitar uma aspirina. Mas, é melhor ir ao médico.

Agências do mundo todo perceberam as implicações de misturarem áreas de publicidade e propaganda e design e as separaram. Hoje, funcionam como escritórios completamente independentes para prover soluções de publicidade e propaganda e design a seus clientes.
Escritórios de design são responsáveis pelas estratégias de gestão de marca, pelo branding e pela identidade da empresa e seus produtos e serviços. O design estratégico faz parte de grandes e médias corporações e serve, quando feito acertivamente, por profissionais, para aumentar o valor de marca.

Raphael Caram fez sua história na publicidade, com orgulho, e hoje é designer e artista plástico, com prazer. Este texto foi composto com o auxílio intelectual e técnico da redatora Mara Faria; porque, afinal, cada um na sua especialidade e todos pela qualidade do trabalho.

por Raphael Caram